sexta-feira, 7 de março de 2014

A Alma


Foto: Graça Loureiro
 
 
Atrás das cortinas negras

a luz dança comigo.

Sou a sombra esculpida na parede.

Posso crescer ou minguar.

Posso amar ou odiar.

Entre o meu corpo e o que existe

há papel e Palavras.

Estou aqui!

 

Organizo o meu mundo

em linha reta.

Torna-se uma estrofe.

É preciso ter a mente aberta.

Refugio-me nos versos

com palavras que desconheço.

Julgo que me oferecem

mais do que mereço.

 

Vozes ecoam à minha volta.

Os sonhos desenham-se no céu branco.

Torno realidade o que vejo.

Cubro-me com o véu daquilo que desejo.

Abro os braços para o Abismo.

Torno-me infinita no Sonho.

Tudo é mudo.

O Silêncio emerge do Caos.

 

Corroída pelo que desconheço,

Reduzo-me a pó:

voo com o vento.

Amo nesse momento.

Não te possuo.

Envolvo-te.

Não te toco.

 

Sou uma alma perdida

Pousada no canto do teu olhar.

Abre a janela e deixa (-me) (a) poesia entrar.

Deixas?

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