sábado, 26 de dezembro de 2015

Madrugada


 
Foto: Marta Bevacqua
 
Há dias de cinza

em que nos embrulhamos

no pó.

Entregamo-nos à liberdade

dos braços caídos.

 

Enlaçamos o espaço

com o orvalho da terra.

Somos mínimos,

breves,

silenciosos

dentro das noites

e dos dias.

 

Os gestos são sombras

e o sorriso é perfumado

pela deterioração.

Cobre-te com o véu poético

das palavras.

Seremos cadáveres acesos.

 

Se arde e não vês,

então é paixão.

Estende os braços

e podes aquecer as mãos.

 

Assassinas todas as sombras

para beijares o sol aceso,

dentro de mim.

 

Assim,

desabrochámos

de madrugada.

3 comentários:

  1. POESIA com Maiúscula, aqui..
    de uma singela "naturalidade" como se brotasse espontânea...

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  2. Um magnífico e esplendoroso despertar, por aqui...
    Adorei o poema! Intenso... como tanto aprecio...
    Beijos
    Ana

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