domingo, 6 de setembro de 2015

Miserável


 
É numa maré

que vou indo

e desaguo

no rodapé.

 

Fico na tua boca

bem impressa

e definida

como outra coisa qualquer.

 

A nudez é pálida,

pura,

crua,

gelada,

salgada.

 

Deixa-me na terra.

 

Amas a decomposição

do corpo

em estrofes

de versos brancos.

Não há luto.

 

Sou miserável

de olhos vidrados.

Sou um corpo

de carvão.

Sou vegetal.

 

Apanho-te na esquina

de papel.

Vou assombrar-te.

 

As Palavras

soam falso

porque não morri.

 

Futuramente

o meu corpo estará

presente

em camara ardente

em papel

(no) passado.

1 comentário:

  1. Estás imparável...
    Este poema é soberbo.
    Ana, tem uma boa semana.
    Beijinhos.

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