segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sombra livre



Foto: Kemal Kamil

Talvez não saibas,

mas onde me deito

não há tempo.

De raiz sou feita de pedra.

 

Calço saltos altos.

Rendo o meu corpo

para os teus enleios.

Penteio os pesadelos

Que trago.

Pinto os lábios de cor

rosa amargo.

 

Toco as sombras,

Rastejando.

Os fantasmas andam na rua.

O céu por cima

de mim flutua.

 

Estou para morrer.

 

Algo me aperta a garanta.

Sufoco atrás de cortinas

de Palavras.

O que corre nas veias

desagua no suspiro

da voz.

 

Despe-me

antes de ser corpo.

Desconheço os seus refúgios

secretos.

 

Caem estrelas

pois quando não há sono,

renasço em ti.

 

O poema virgem,

nos lábios alheios,

sombra livre

da alma.

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