domingo, 7 de agosto de 2016

Chama-me



Foto: Alexander Perischepov

Sou feita de cera.
Derreto sem amor.
O fogo existe
com  gestos
e sem palavras.

Enroupo-me de mulher.
Em lenta combustão,
as pernas mantêm-se
presas em lençóis de estrelas.

Não atiro beijos.
Não corre nenhuma brisa.
Consegues apanhá-los?

Passo por gatos.
Visto-me de sol.
Atravesso a rua.
Vês-me nua.

Queres ir à fonte?
Chama-me
em chama.

3 comentários:

  1. Para ler e reler!...
    Mais uma vez, admirando a incrível força das tuas palavras...
    Fantástico poema!
    Beijinhos
    Ana

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