domingo, 17 de julho de 2016

No canto




 Foto: Plfoto

Esbatida nos limites

impostos por uma louca.

Invisível a quem olha.

No escuro tudo é pardo.



Libertas o meu ser

do espelho.

No quarto do fundo

fico recortada

na parede.

Nua.

A preto e branco.



No encontro de duas paredes,

na aresta perfeita,

tens o meu corpo aberto.

Estou no canto.



Amadurece o desejo

e eu caio

no eco do grito

dos lábios cerrados

quando é no canto dos lábios

que nasce o sorriso.



O canto das sereias.



A humidade escorre

do espelho.

Limpo-o.



Queres pôr-me a um canto,

de novo?

3 comentários:

  1. Que seja no canto mas que valha a pena, e sem desencanto!

    ResponderEliminar
  2. Uma poema muito original e muito belo.
    Beijos.

    ResponderEliminar
  3. Mais um belo e admirável momento poético!...
    Bjs
    Ana

    ResponderEliminar