domingo, 13 de março de 2016

Sem freios



Foto: Pavel Kiselev


O possível não chega

O impossível não basta.

 

Quando o aconchego

dos lençóis lavados

forem o teu único consolo,

significa que os braços ainda não

agarraram a tua solidão.

 

Quando tiveres saudades de um beijo

na boca

bebe um copo de água pois satisfará

o teu desejo.

Beijar é natural como  a tua sede.

 

Talvez te aperte a garganta

quando o que lês

te passar nas cordas.

Talvez fiques na corda bamba

e te faça fixar o olhar

na ausência do ar.

 

Não tenho sonhos em mim.

Caso contrário

 andaria sempre a dormir.

 

Não me rendo à arquitetura métrica

do mundo que me possui.

Mantenho a verticalidade das coisas

tendo o horizonte presente

nunca preenchido

de gestos ausentes.

 

Estou presa na teia da língua

esperando ser abocanhada na gruta

do céu.

 

Sou uma viciada assumida.

Uma dependente das palavras

que me fazem gritar

e orvalhar a rosa

sem freios no peito.

 

Assim,

quando não escrever mais poemas,

significa que morri.

5 comentários:

  1. A criatividade a dar alento à vivência...
    Um belo poema.
    Beijo.

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  2. Temos aqui a beleza em poesia. Poema que prende.

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  3. Uma viciada na boa escrita. Adorei. Um abraço com carinho

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  4. É mesmo esse seu jeito... sem freios no peito... que tanto gosto de apreciar, por aqui, através das suas palavras, Ana!
    Mais um poema incrível! Beijos
    Ana

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