Foto: Angela Vicedomini
Aviso-vos que este
poema não pode ser lido.
Não é correto
e é algo a evitar.
Por este motivo,
estou a alertar.
Por hoje serei um mau caminho.
Arrumo o rosto.
Serei um retrato perdido.
Vazia por dentro.
Viverei deitada
mas não estarei parada.
Dispo-me de tempo
e corpo a corpo,
seguimos o ritmo
da melodia sensual
que se acende na minha voz.
O indomável
irrompe das raízes.
Palavras brutas,
talhadas em versos delgados,
ornamentados com vogais
simples e claras.
Descobre-me por dentro
com a chave que trazes.
À luz das velas
seremos devotos em oração.
De olhos fechados
pediremos perdão.
De olhos vendados,
atravessamos a vastidão
que
nos separa.





