A noite é um manto de estrelas.
Estou
confortável
mesmo que
não consiga respirar.
A Saudade
está a meu lado
mesmo quando
olho para ti na sombra,
Pensando que
estás acordado
e não me
vês porque estás ensonado.
Fecho as
janelas.
Sou
anónima.
Ninguém
dá por mim.
Respiro
com as Palavras.
Bebo a
tinta que escorre delas
e que me
embriaga o corpo.
Sinto-me
a flutuar.
Entrelaço
os dedos
à volta
da minha pena (perpétua):
pegar na
caneta e fazer dela
a minha
arma para manter
a ferida
aberta
para o
sentir.
Esmago o
coração até que deixe de bater.
Não faz mal
que as minhas palavras
nasçam do
esquecimento.
Tanto
nasço
como morro.
Aceito a
morte doce que a Palavra me concede.
A noite
inclina o seu rosto
para
beijar a minha melancolia.
Tudo
cessa com o nascer do dia,
quando a
última gota de tinta
cai no
papel
e surge o
ponto final.
Olho para
ti, acordado do sono,
e
deito-me a teu lado.
O coração
de tinta morreu esta noite.
A teu
lado volto à Terra.
Apenas
amanha morrerei de novo,
Com um
novo coração (de tinta).

