Estendo-me em lençóis
onde o espaço é vasto.
Quebro o meu coração de aço
que em linhas traço,
quando me deito nas ondas
que me elevam do chão.
Tudo se torna linear,
quando percorro cegamente
os desejos do teu pensar.
Liberta-me!
O fogo atinge as fronteiras.
O sangue pulsa nas veias.
O coração bate acelerado.
É esse o meu legado.
Não estou só.
Vivo neste mundo inventado.
Um mundo já fadado
habitado por outros poetas.
Eles caminham a meu lado.
A poesia que trago nos dedos
morre silenciosamente
na lembrança do verso escrito.
Agita-se a mente.
Prende-me os pulsos.
Fecho os olhos.
Guardo feições desconhecidas
e os sonhos caídos, como cabelos,
na minha almofada.
Inocentemente durmo
descansada.




