Foto: Palchyk Iuliia
Nessas pedras tão finas,
roucas
que quase perderam a voz,
fiz delas um eco
a sós.
Fizeram-me
escrever nas paredes,
mantendo os olhos fechados
para não olhar
para os lados.
Despiram-me de preconceitos
e vesti-me de clausura.
Fiz-me direita e
comprometida,
ausente de oração.
Olhava pela janela,
com a mão na tentação.
Não foi entre o rosário
que descobri os mistérios
de um amor
que vive no sacrário.
O meu tronco horizontal
por entre as sombras
fez a luz vacilar,
quando descubro o mundo que
existe para além de mim.
Encontram-se águas revoltas
que embatem contra as ruínas.
É esse o prazer de saber
que é das mãos
que vem a luz.
Só existimos depois disso.





