sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Feliz Natal
A todos vós, leitores, que seguis os meus espaços, e público em geral, desejo um FELIZ NATAL!
Agradeço o vosso carinho e atenção. Sem vocês nada disto seria possível.
Uma boa inspiração para este Natal é, sem dúvida estar na companhia dos que mais amamos. Venham daí os doces e aconcheguem o vosso coração com um pouco de poesia. Vamos ter frio este Natal. Agasalhem-se com alegria, boa disposição e uma mantinha .
Um abraço, Ana
domingo, 18 de dezembro de 2016
O que faço contigo?
No fundo, bem lá no fundo,
sei que não sinto.
Dou o corpo coberto de gesto
e não é nada mais do que absinto.
No fundo, bem lá no fundo,
dou a mão bem esticada,
mas podia dar as duas,
para agarrar a tua imaginação.
Não me segredes desejos.
Tudo o que sou é ilusão.
No fundo, bem lá no fundo,
Sou uma música solta
que tu ouves,
mesmo não sabendo onde estás.
Fica o sorriso na mesa detrás.
No fundo, bem lá no fundo,
sou mal comportada
e quero namorar ao teu ouvido.
Mas sei que és surdo
e não ouves o que digo.
No fundo, bem lá no fundo,
deixo-te os silêncios escritos sem voz,
fora do normal.
Fecha a janela virtual.
Existe uma mulher real.
No fundo, bem lá no fundo,
aguardo que me digas,
o que faço contigo.
Eu já não consigo.
domingo, 11 de dezembro de 2016
O crime
Os meus
sentidos
dizem-me o
que é proibido.
Perder-me
sem pudor.
Só de
pensar nisso
já sinto
calor.
Procuro a resposta
no reverso
das tuas costas.
Vou dar um
passo
para o abismo.
Morder
como quem beija
para ser alguém
que seja
capaz de
provocar os gritos
debaixo da
pele.
Entrego o coração
para que o
atires para longe.
Morrerei
na medida
em que te
desejo.
Um desejo
com raízes de vento.
O problema
é que eu ainda
não sei morrer.
E tu, és
capaz de
matar-me
(de desejo)?
Será o crime perfeito.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Brutal
Vês a
brutalidade da sensualidade
que carrego
nas mãos.
Armas de
erotismo que aponto
Para ti.
Sento-me
na cadeira
E não há maneira
De não me
sentir submissa.
Anseio
ouvir-te.
Estou com
a pele
Viva e
quente.
Seguras
nas minhas mãos
para prender
o meu corpo inocente.
A tua voz
quente
vibra no
meu ouvido.
Pensas-me
indefesa.
Queres
levar-me à lua.
Para isso
preciso de te pedir
que me
possuas.
A viagem é longa.
É preciso ir devagar
para chegar bem e depressa.
Viajas
fora do meu corpo.
Traças trajectórias
cadentes
de beijos
incandescentes.
Dominas
todas as ruas.
Os teus
dedos na
garganta
apertam-me
as palavras.
Esticas a corda.
Puxas-me
para ti.
O meu
tronco eleva-se.
Deixas-me
riscar-te
as costas.
Sem erros.
Ficas
entre as minhas coxas.
Fecho os
olhos em gemidos.
Preciso do
sabor da terra.
Preciso do
perfume doce
que paira
no ar
quando somos
cremados
na fogueira
dos sentidos.
Isso sim:
é brutal!
domingo, 27 de novembro de 2016
Posso pedir um desejo?
Está escuro.
Leva-me pela mão.
Deixa-as cair pela minha existência.
Está escuro.
Vês-me passar.
Ouço o assobiar.
Fico preocupada.
Podes ficar sem ar.
Não mereces estar sozinha.
Ouço os meus passos,
Seguros.
Com a silhueta inquieta,
Retribuo com um sorriso.
Não amarelo mas violeta.
Não mereces estar sozinha.
Há a luxuria nos lábios
Que me mordem a fantasia.
Há a distância dos opostos.
Há a overdose do que não há.
Há a vontade de ver a morte.
Tudo cai por terra.
Prendo-te no minuto certo
Quando te estendo a minha pele.
Está escuro.
Não mereces estar sozinha.
(roo a solidão por dentro
nos ecos do silêncio)
Mas...
posso pedir um desejo?
domingo, 20 de novembro de 2016
Promessa
Traço a
perna
no meu
vestido negro.
Quero quem
nunca vi.
Quero quem
nunca conheci.
Tenho
pressa
de chegar.
Essa
vontade
não consigo
dominar.
Afasto o
que
Cobre o
monte da Deusa.
Lavo aí as
minhas mãos.
Benzo os
meus lábios violeta
com a água
da fonte.
Prometo.
Vou
levar-te ao espaço.
Vais descobrir
luas
novas e minguantes.
É essa a
viagem
dos
amantes.
Até me
doerem os lábios,
que não vês,
preciso de
faíscas,
da colisão,
contra a
parede
ou o colchão.
Ou do que
estiver à mão
ou ao
corpo.
Quero
prender-te
nas algemas
dos meus
dedos.
Sentir-te por
dentro.
Rasga-me a
máscara
do corpo.
Inunda-o,
nu.
Torna-me
uma extensão
de ti.
Prometo:
o vestido
negro
só cairá
na tua presença.
Prometo.
Logo que
te conheça.
Prometo.
sábado, 12 de novembro de 2016
Não me sinto cá
Não há claridade
que apague o obscuro
das pessoas
e das coisas.
Dizes, então,
que trago a luz do desejo
no olhar.
Por isso,
não me sinto cá.
E eu digo-te
que o verão
fica à esquerda do meu peito.
Leva-me, então,
por essa estação.
Não me sinto cá.
Há um solo dominado
por cardos,
roupa por todos os lados,
que é preciso lavrar.
E é nessa jornada,
quando o sol está a pique,
que me sinto
corar.
Não me sinto cá.
O solo tem no reverso
o passado
com cicatrizes e
segredos.
Entre a saliva
e o toque,
agarra-me pelos ombros
e murmura-me,
longe dos olhares alheios,
o que é indiscreto.
Não me sinto cá.
A certeza abandona-me.
Os teus dedos esgueiram-se
para lados incertos.
Enquanto a incerteza dura,
ardo na fogueira
e crepito como uma castanha.
Magusto-me.
Já não me sinto cá.
domingo, 6 de novembro de 2016
Grito de morte
Sou um
cadáver frio.
Tenho
muitas peles guardadas
no armário.
Alimento-me
das
coisas do
corpo
e o coração
está morto.
Apenas
lateja a saliva.
Parece que
ainda estou viva.
As
palavras ensanguentadas
jorram dos
pulsos cortados
com o
punhal de vento.
Tenho os
dentes
chumbados
com os
desejos inconscientes.
Estarão
eles
mais perto do céu.
Debaixo da
pele
existo
dentro
do gesto.
Quando cai
a noite
no quarto,
há uma
flor
que arde
e um perfume
que
condensa o
orgasmo
num só
grito
Morrer
devia ser assim.
Ser tudo. Por agora.
Ser tudo. Por agora.
Apenas um
grito
de morte.
sábado, 29 de outubro de 2016
A Finada
Já
não há leitores.
Há
nudez.
Há quem veja com as mãos;
quem leia com os dedos.
quem fale gestualmente.
As mãos andam nuas.
A
poesia é coisa pouca.
Tenho as mãos vazias
na banalidade
da explosão líquida
que ocorre na ruína
do meu corpo.
Os poetas
não servem para nada.
Há sempre um mau caminho
para percorrer.
Húmido.
Sem norte.
Deixa-te quente
e leva-te para a frente.
Os
poetas deviam encher páginas.
Não
deviam deixar vazios.
As pernas abertas
são pontas de estrelas
caídas no vazio
do quarto
crescente.
Que
morra a prosa.
Se desejas algo,
estás morto por algo.
O desejo é poesia
que te leva do caixão
à cova.
Morreste?
Uma ova!
Não te escrevo
uma prosa.
Enterra-te.
Deixo-te a rosa.
Fina-se a poesia.
domingo, 23 de outubro de 2016
Urgência
Tenho o meu corpo solto
numa cama encalhada
e as unhas cravadas no algodão..
Há urgência.
Abres-(me)
a janela,
fazendo-a ranger de
arrepios.
Há urgência.
Dava-te um terço
para que pudesses desvendar
todos os mistérios.
Assim renovarias
não promessas,
mas certezas
nos ais a Deus.
Há urgência.
No hall celestial
cortas a carne com
intenso prazer erótico.
Rasgas virgindades.
Há urgência.
Há a fome antiga de água.
As árvores escondem-se
debaixo do chão.
Deixa-me regá-las
com urgência.
domingo, 16 de outubro de 2016
Posso fazer algo por ti?
A janela abre-se sobre a rua
e antes da nudez consomada
já me vês nua.
Posso fazer algo por ti?
Pisa-me que eu deixo
que faças as tuas marcas.
É uma batalha perdida.
Tenho a mão na faca.
Posso fazer algo por ti?
A carne dissolvida
na saliva.
Não o calo
e não dorme o falo.
Selo de joelhos a intimidade.
Posso fazer algo por ti?
Respiro para que não doa.
Onde acaba a roupa e
começa a pele,
para pontos mais altos
e buracos mortíferos,
algo nos impele.
Posso fazer algo por ti?
Receio como tu
o mutismo.
Não quero agarrar estrelas cadentes.
Não tenho esse desejo.
Posso fazer algo por ti?
A poesia não tem grades
mas doem-me as costas.
Mas, posso fazer algo por ti?
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