Foto: Marta Ferreira
Esticas o braço.
Prolongo-te com a mão.
Estendo o arco.
Faço vibrar o que existe
no teu corpo.
Fragmento-te.
Entre (a)braços
quebram-se os silêncios.
No contacto com o meu
corpo
a poesia transforma-se
em canção.
A melodia (que me deixa)
nua,
faz-me tua
com paixão.
Somos um.
Sem dó.
Fecho os olhos.
Sei onde estás.
Somos o encaixe perfeito
entre as pernas e o
peito.
Dissolvo-me em viagens
auditivas.
Cubro-me com as tuas
marcas sensitivas.
Perpetuo-me.
Ocultas-me atrás do véu
da paixão.
Fico atrás de ti.
Possuo-te lentamente.
Desvendo-te.
Sou a lua cheia.
Sou o centro do
universo.
Apagas as palavras.
Falamos línguas no
reverso
da boca.
Adivinho o teu desejo
que fica no espasmo
do que toco.
Fecho os olhos.
Perco a visão.
Resta-me apenas a
audição.
Reescrevo o teu eco
num delírio enfeitiçado
nas pautas do Amor.




