domingo, 6 de abril de 2014

Apaga a luz

 
Foto: Olga Boris
 
 
 
Apaga a luz.

Caminho sobre o abismo.

Viro-me para o lado de dentro.

Ocorre um sismo.

O meu corpo não sente.

Desligo o coração.

Torno-me malabarista de palavras

que atiro ao ar.

Apanhas?

Não! Sou mais do que isso.

 

Apaga a luz.

Desconheço os silêncios,

quando navegas no meu rio de letras

soltas nos meus cabelos despenteados.

Olho para a raiz.

Vejo-a natural.

Única.

Verdadeira.

Estico até ao limite da sua existência.

No fim corto significados.

A ausência fica marcada

mas de nada serve.

Encaracolo o que me resta.

Cubro de cor o (in) visível.

Fica bem? Sou mais do que isso.

 

Apaga a luz.

Construo castelos de papel

com o que não te consigo dizer.

São pedaços de nada.

São partes de nada.

Palavras de tinta permanente

que ficam cimentadas no coração de quem sente.

Gostas da obra?

Sou mais do que isso.

 

Apaga a luz.

Atiro à queima-roupa.

Dizem que sou louca.

Assassina de profissão.

Atiro de forma certeira

com armas letais que vão directamente ao coração.

Morreste? Não!

 

Chega!

Não tentes mais.

Na poesia podemos ser tudo

de uma forma alinhada

sem nunca sabermos realmente aquilo que somos.

sábado, 29 de março de 2014

Asas Negras


 
Foto: Alexander Paulin
 
 
Liberdade:

metade Solidão, metade Saudade.

Tenho asas negras cobertas de estrelas.

Surjo silenciosa.

Entro pela janela do teu quarto.

Deixo um rasto de poeira luminosa.

 

Liberdade e Solidão:

Sinónimos para uma paixão.

Veste-me por dentro.

Despe-me por fora,

Quando me deito na pedra lisa e nua

ainda por lapidar.

O que ecoa na minha insanidade

não me deixa sossegar.

Tem de haver Liberdade.

Tenho de conseguir voar

com asas de tinta negra.

 

O que é transparente reflete:

Puro;

Cristalino;

Claro.

Só quem tem coração, sente.

Não me leias.

As Palavras não têm sentir.

A folha branca não mostra nada de mim.

 

Eu sei! Não precisas de dizer.

Prendo os teus olhos com as Palavras.

Amas o que escrevo cegamente.

Escutas os meus silêncios.

Voas nas asas do vento.

Não fico nas mãos de ninguém.

É o Destino de quem Ama

o que não alcança.

 

Não sei quem sou.

Apenas sei que quando caio

na vertigem luminosa das Palavras

Estou nua e só.

Preciso saber: Estás comigo?

domingo, 23 de março de 2014

Amor sem Fronteiras



 
 
Durmo leve.

Sonho o que ninguém teve.

Não brinco com as Palavras.

Sou tímida.

Não consigo chegar ao pé delas

e dizer-lhes que são importantes,

que as quero como amantes.

Ficam as palavras presas nas cordas vocais.

Não sei o que fazer mais.

Vou escrever uma carta de Amor, ridícula talvez.

 

Minhas queridas Palavras

Vou amar-vos pela noite fora,

Quando me falarem ao ouvido

O que a mente tem omitido.

Darei a mão à caneta,

companheira de vida

e de luas de papel.

Ser-lhe-ei sempre fiel.

 

Com a ponta da caneta

Vou acariciar-vos,

Soletrar baixinho, letra a letra

para vos dar Vida e corpo ao Amor.

É preciso tempo.

É preciso espaço.

Preciso que me dês apoio.

Necessito que suportes as minhas alegrias e tristezas;

loucuras ou incertezas;

os gritos e os silêncios.

Preciso que vás comigo para qualquer lugar,

quer seja ao Inferno

ou ao Céu, quando faço um sorriso terno.

Preciso de Liberdade.

Preciso de grades.

Sei que tenho isso na palma da mão.

Divido os meus bens em estrofes.

Dão forma ao que podes ser.

Nada ou uma coisa qualquer.

 

És um desejo, uma loucura ou simplesmente desespero.

Sou liberal.

Aceito que tenhas outros amantes

que te olhem, que te apreciem.

Eu terei o meu espaço, o meu momento,

Quando te acaricio, te abraço

e deslizo pelas tuas curvas.

 
 
 
Agora meu Amor, poema da minha Alma,

Estás deitado olhando a linha do Infinito

na gaveta do meu Sonho.

Deixo-te um abraço aconchegado,

Meu Amor sem Fronteiras.
 

domingo, 16 de março de 2014

Amo-te na mesma



 
Sou rascunho.
Muito longe de ser algo original.
Apaguei a minha luz dos teus olhos.
Tento reformular o que está mal.

 
Corto os pulsos.
Censuro-me.
(Ar) risco-me.
Destruo-me.
A folha branca recebe o grito.
Torna-se o meu ponto de atrito.
Nada serve! Amo-te na mesma!

 
As lágrimas podem afogar-me,
Podem matar o que escrevo
ao caírem no papel.
Alastram até o sentir que não devo.
É assim que ultrapasso o limite da loucura.
 assim que afasto a tristeza.
Tudo fica refletido na frieza
das Palavras.


Quando te escrevo baixinho,
na solidão do meu quarto,
abraço-te com carinho.
Esquarteja-me.
Despedaça-me.
Mata-me!
Dou o meu corpo.
O meu último sopro.
Não me importo! Amo-te na mesma.

 
A insónia possui-me.
Felizmente adormeço.
Num piscar de olhos, acordei.
O Tempo passou.
Foi como se não tivesse dormido.
Agora tenho insónias 24 horas por dia.
Amo-te na mesma.