quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Amor de Perdição


Guardo a minha Vida.

A morte é certa.

É assim o Destino do Poeta.

Ficamos perto das Palavras.

Longe de nós.

Fica o Silêncio.

Corta-se a voz.

 

Regresso às raízes profundas do meu Ser.

Não há Tempo!

Não há grades!

Desvendo-me.

Dispo-me.

Olho para o espelho.

Não reflete nada de mim.

Tudo é ilusão.

Brinco com as Palavras.

É preciso sonhar.

 

Entro no poema.

Saio de mim.

Encontro o meu caminho,

quando escrevo Palavras

para que ninguém se sinta sozinho.

Voo nas asas do verso

que pousa no teu olhar.

Sou livre.

Ninguém me consegue agarrar.

 




Olho em redor.

Esboço um sorriso (im) perfeito.

Desabrocha no meu peito

um Amor poético:

Por ele me perco;

por ele Amo;

por ele morro!

É o meu Amor de Perdição. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Bordado



Estico a linha entre os dedos.

Linha de tinta.

Quero que esteja bem esticada

para que reflita algo

que eu não sinta.

Palavras nuas e cruas.

Passo a linha pela minha agulha,

caneta azul,

que desliza suavemente pelo pano branco.

 

Começo a bordar.

O luar ilumina o meu trabalho sombrio.

Estou em contraluz.

Surgem versos agrupados

pois as Palavras não podem estar sozinhas.

Tudo é irregular.

Não há nada de (mili) métrico.

 

Para rematar o bordado, dou pontos certeiros.

Ponto a ponto.

Um ponto de exclamação para entusiasmar.

Quando tenho duvidas,

acabo por me interrogar.

Desfaço o meu bordado

e tenho de recomeçar.

Coloco três pontos para rematar.

Não sei o resultado.

Só no final, é que se verá o bordado.

 

Para dar mais cor e fantasia,

faço de conta que sou a Cinderela

ou a Bruxa Má

que à Branca de Neve deu a maçã.

Não faço comparações.

Ironizo “Está maravilhoso”.

Não é dito pelo escritor.

Minto!

Está tudo nas mãos do leitor.

Espalho antíteses na minha criatividade:

Julgo que é na morte que encontro o poder da Poesia.

Nesse momento iludo o leitor

com um pouco de fantasia.

 

Quero que tudo fique tónico

face ao que apresento.

Se isso não acontecer,

Não é grave.

Não sentirei uma dor aguda.

 

Fico sempre feliz pois é uma parte de mim,

mão de poetisa,

borda as Palavras que chegam ao leitor,

consumidor final, da obra poética.

 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sol de inverno




Mata-me.

O Poema não é nada.

Preciso de liberdade.

O fogo gelou em mim.

 

Há um abismo

a meus pés.

O chão que já foi Céu,

onde senti o teu corpo junto ao meu,

magoa-me os olhos.

Fica distante a lembrança de ti.

 

O vestido está rasgado.

Perdi o encanto.

Caiu-me aos pés.

Caminho de mãos vazias

na caverna onde me prendeste

com a melodia que me enfeitiçou.

 

Procuro o teu rosto na distância.

Perco-me nas horas.

Pergunto-me por que demoras.

Um corvo pousa na pedra nua.

Julgo que traz alguma notícia tua.

Talvez o nosso Amor tenha morrido

e eu não me tenha apercebido.

Sinto o meu corpo despido.

Cubro-me com as asas que me deste.

 

É na frieza das coisas

que surge o teu rosto

na manha.

Mergulhas os dedos no meu peito

Arrancas as recordações.

Incendeias o meu corpo,

quando me tocas.

 

O longe fica perto.

O meu mundo fica mais completo.

Destróis tudo em mim.

Por ti me deixo matar

só para te ter a meu lado,

meu Sol de inverno.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Por Amar-te


FOTO: AMANDA COM
 
 
Sou criminosa.

Assalto o mundo das Palavras.

Roubo os ponteiros do relógio.

Mataria por um sorriso teu.

 

Existo a teus olhos.

 Sou a luz.

Sou a cor.

Sou o gesto.

Sou a Palavra.

Sou Musa, se calhar.

Diz o meu nome.

Renascerei.

 

Beijas a luz que me toca.

Adormeces esse desejo

de sentir os teus lábios.

Um beijo.

Navego nas ondas

do teu corpo aceso.

 

Estás para além dos meus dedos.

Talvez não saiba amar-te.

Tenho medo.

Mas tu estás comigo.

Estás em todas as coisas.

 

Estou perto de ti.

Estás perto de mim.

Quando à noite desabrocha a rosa da poesia,

somos um só.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quando te invento


As cortinas são negras noites.
É atras delas que solto a minha loucura.
As minhas Palavras são o avesso da alma.
Algo se avizinha.
Vejo da minha janela.
É um pássaro que trás a Liberdade
quando estou sozinha.
O relógio perdeu os ponteiros.

O Poema é a janela
que me permite olhar para dentro.
A minha pele é o papel ardente
e os teus dedos a tinta
que escorre docemente.
Cortas a boca pela metade.
Retiras-me o último suspiro.
Caio junto da palavra nua.
O meu coração fica leve.
Pousas a mão no meu rosto.
Todos os espelhos se partem.
Não vejo o reflexo da despedida. 

Amanha voltarei a dar-me a ti.
Fica o poema sempre inacabado.
É assim que te amo: quando te invento.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Queres sentir o ritmo do coração?

Bom dia a todos

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