sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mergulho e floresço


Deitei-me e escureceu.

A sombra ficou esculpida.

Não existe rosto.

Não existe cor.

O corpo alonga-se no leito.

A luz realça as formas.

Tenho uma insónia.

Revolvo-me na cama.

O tempo adormeceu

mais cedo do que eu.

 

A lua está cega.

A noite está alta

e no seu manto caem as estrelas.

As águas rasam os olhos.

 

Procuras-me.

Aqui estou.

Sei que me queres

e eu sei o que te dou.

Trazes magias nas pontas dos dedos.

Tocas na minha pele e revelas segredos.

Escreves poemas nas linhas do meu corpo

com o Amor e o desejo que nos percorre.

Estou a teu lado.

Perto de ti o meu mundo fica completo.

Perto do teu ser o céu fica mais perto.

Mergulho na frescura do teu rio.

Floresço na primavera

poisada nas mãos de quem me encontrou. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O jardim distante


Os jardins estão distantes.

São ternas lembranças.

Flores que mesmo longe da terra

espalham as suas fragâncias.

Trazem muito de nós:

pedaços de saudade que trago na voz.

Trazem muito mais do que o perfume:

trazem a essência de um amor que não morreu.

 

Das palavras ficou o eco.

Dos nossos corpos ficou a sombra.

Do fogo ficou a cinza.

Das mãos vazias ficou o desejo de enlace.

Do meu coração que na tua mão caberia

ficou a esperança de que ele jamais morreria.

 

Agora beijo o horizonte.

A escuridão abraça-me.

O luar fica a meu lado.

Caminho com o meu vestido vermelho comprido

 com a vida depois de ti.

Flutuo.

A noite começa a cantar-me.

As estrelas olham para mim,

As folhas sussurram o teu nome.

Nada me puxa para ti.

Nada me afasta de ti.

 

Vejo-te ao longe entre a sombra e aluz.

Surges perante mim e prendes as minhas mãos soltas.

Afinal existiremos para sempre. 

domingo, 7 de julho de 2013

A Fénix


Nada trago comigo.

Tenho as penas sem brilho.

O olhar está vidrado.

Não sinto vontade de cantar.

Mergulho na profundidade do caos.

Estou extasiada.

Sou a exaltação de feras selvagens.

Tenho fome e sede de infinito.

Ouço o eco do grito das profundidades da gruta.

Não tenho forças.

O tempo escorre.

Tudo morre quando passo.

O Sol queima a terra que piso.

Busco-me devagar por entre os labirintos da gruta.

No seu interior existem monstros e pavões

que assustam quem na cama se deita.

Creio que não nascerão flores.

 

O sangue começa a pulsar na veia

como o mar enrola na areia.

Surge uma sombra de luz.

Inclino-me para ela.

Liberto-me da treva fria.

Morro em mim.

 

O caminho já não está deserto.

Abandono-me a ti.

A primavera faz florir o que não existe.

O dia começa.

A Fénix, pássaro de fogo, renasce e pousa nos teus braços

onde florescem palavras de Amor

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quando adormeço


Morri, confesso.

Já não sou eu.

Procurei um rosto que fosse metade do meu.

Possivelmente encontrei-o num sonho.

Acordei cedo demais.

Vou dormir.

 

Sou o caos e a agonia.

O silêncio pousa nas mãos

e tu trazes nos teus dedos a harmonia.

A luz arrasta a noite

quando rompes o nevoeiro

e dou o meu corpo inteiro

derramando a tinta do tinteiro

no papel em que escrevo.

 

Digo-te que estou aqui.

Estou viva e não morri.

Estou bem pertinho de ti.

Amo-te mas o horizonte escurece.

Amo-te e estás distante.

Afinal amo o que não tenho.

Estou carregada de pedaços de ti:

são as Saudades que trago no peito alagado pelo Mar de tristezas,

mágoas e incertezas.

 

É isso que me sufoca.

Recebo o meu desejo trazido no teu beijo.

As águas estremecem.

As palavras renascem e descobrem os nossos corpos desnudados.

O céu está aberto.

Os espaços estão desertos

mas preenchidos com o Canto que trazemos na voz.

Quando acordar espero que estejas a meu lado,

caso contrário voltarei a adormecer.

domingo, 30 de junho de 2013

O pássaro azul


Na cidade pairam fantasmas.

As estrelas caem.

A sombra do luar agarra-me.

O orvalho cai sobre as pétalas de rosa.

O verso cai sobre o papel como doces carícias,

como se os meus dedos tocassem no teu corpo.

 

Fico frágil se amar.

O sangue fica ardente.

A luz fica dormente.

Não consigo ver.

Sou louca e livre.

Solta-se a voz do fundo que soa distante.

Consigo chegar à Lua que faz o Sonho girar.

 

Mesmo distante, ouviste-me.

Esta noite tive-te nos braços.

Não sei se o céu ficou azul.

As horas ficaram despertas.

Consumimos o tempo rapidamente.

A Solidão ficou com as mãos abertas e os lábios cerrados.

 

Agora desço degrau a degrau

onde me banho no rio

enquanto o meu sangue ferve como lume frio.

Sinto que posso morrer agora.

Ainda é cedo e o Amor é breve.

Posso morrer agora enquanto afastas as palavras que te escrevo,

pois nada dizem de nós.

Abandonada à luz da Lua cheia,

torno-me um pássaro azul  que voa live

e pousa no beiral das tuas mãos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O beijo poético


Inclino-me sobre a folha fria.

As mãos estão trémulas

e a caneta não se atreve a beijar o papel.

Não lhe ouço nenhuma emoção.

Reclino-me na cadeira.

Sinto um lume preso

enquanto as horas dormem lentas.

 

Fecho os olhos.

Sinto uma presença forte ao pé de mim,

de um amor ausente e que me faz sentir um calor

que me desperta de repente.

Há uma voz que me seduz

e se ergue num canto que preenche

a noite vazia.

Amanhece.

O orvalho cai de manha

beija as flores docemente.

Dispo-me na manha de verão.

Surgem as colinas suaves no horizonte

onde te encostas e molhas as tuas mãos

Nas conchas banhadas pelo mar.

Acolhes-me entre a brisa e o Sol.

Repeles a sombra.

Derramas a luz que me cega e me faz tropeçar

nos teus lábios, astros de fogo.

 

É nesse momento de reencontro,

que a caneta beija o papel.

Já não é uma folha em branco.