domingo, 11 de janeiro de 2015

Perfeitamente Imperfeito


 

Foto: Regard Sur Image (página do Facebook)
 
 
É preciso Tempo.

Quando o ponteiro rodopia no mostrador

não sabemos quando será a hora certa

para ver o Amor.

Em qualquer segundo nos encontraremos.

Nunca esperarás horas por Ele.

 

Se o Amor é cego,

devemos ser preventivos.

Usa óculos.

Ajudará a ter um foco mais objetivo.

 

Corro o risco

de tropeçar.

Segura-me.

Posso cair nos teus braços

grafitados de Amor.

Não te apagues,

por favor.

 

Não te digo o que desejo.

Gostaria.

É algo condicional.

Por esse motivo,

corro o risco de ir para a prisão

por querer mostrar-te o meu coração.

Sei que me irás denunciar

e serás testemunha

do meu aprisionar em ti.

 

Suspira no desmaio

do corpo

nos meus olhos.

Deixo-te focado

e a noite cai no céu da boca.

Abrigo-me debaixo da tua língua.

Fico louca.

 

Existias onde eu

 não estava.

Não achava possível.

No Amor acontece o impossível.

 

Quase me matas

pois o teu toque me tira a respiração.

Preciso do teu beijo

para oxigenar o coração.

Troquemos carbono.

 

No céu mais alto

deslizam as línguas

e fazemos uma sopa de letras.

Ninguém compreende

o que está traçado nos lábios.

 

Fumo.

Inalo o cheiro do teu corpo

que fica na nudez

que me ruboriza a tez.

Nem sei onde coloco as mãos

quando mergulho em ti.

 

Há a reação química

do orgasmo

quando não estás.

Tenho de possuir as Palavras

para ter o que não dás.

Torno-me volátil.

 

És água em mim.

Essencial mas,

 quando sobe a temperatura

expilo-te

pelos poros da pele.

É assim que consigo sentir-te.

 

Tudo isto é perfeitamente

normal

para quem é naturalmente

(im)perfeito.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Intromissão


 
Foto: Pour le plaisir des yeux (página do Facebook)
 
Desculpem.

Preciso de orientação.

Foi de passagem

que perdi a inspiração.

 

Rabisquei o papel com

palavras feias,

erradas,

ilegíveis,

esborratadas.

Até dá vontade de chorar.

Estou a brincar.

 

O pensamento vagueia

mas não me vou inspirar

na Lua Cheia.

Quero algo verdadeiro

e ela só me fala de mentiras.

Afinal ela é vazia.

Não mora lá ninguém.

 

Irritam-me as palavras

carnais.

Nada tentador.

Não posso agarrar

aquilo de que não sinto calor.

 

Não vou escrever sobre sonhos.

Não vou dormir.

Tenho um problema no olhar.

Apenas vejo ao perto.

O que esta longe não consigo alcançar.

Aproxima-te

para te ler melhor.

 

Deito-me a adivinhar

onde podes tropeçar.

Será que é neste verso

ou irás continuar a recitar- (me)?.

Quero ver se te consigo agarrar.

 

Não me quero deitar.

Detesto o que é paralelo.

Prefiro que sejas reto

e vás direto ao ponto.

Caso contrário,

nunca nos encontraremos.

 

Escondo as mãos

nos novelos

dos meus cabelos

e torno-me uma mulher despenteada.

Não fiquei bonita.

Apenas queria aquecer as mãos,

mais nada.

 

Crio estas imagens em silêncio

sobre a espuma das palavras

que me molham os pés.

Entre a Lua e a maré.

Navega em mim

para saberes como é.

 

Tapem os ouvidos.

Apetece-me gritar.

Estou a falar para as paredes,

entendes?

 

Desculpem a intromissão.

Vão ler poesia a sério.

Eu dou permissão.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Esquina clara

Foto. Regard sur Image (página do Facebook)
 
Recolho-me na concha

e desabrocho na

ondulação do vento.

 

Estende o braço.

Abre a mão.

Quero tocar

no oculto da tua roupa.

 

Trago compassos

que vou abrir

ao alargar o nosso espaço.

Simples raio.

Espaço circular onde,

quando abro os braços

e posso rodopiar.

 

Puxa-me para ti.

Estás livre.

Solta-me a mão.

Eleva-me do chão.

Posso voar

e rasgar o ar.

 

Andamos às voltas

para manter acesa a fogueira.

É preciso oxigenar o Amor pois

há fortes riscos de morrer de apneia.

 

Respira na página

quando te dou corda.

Deixo que a língua fale em silêncio.

É assim que o Amor acorda

sem Solidão.

 


Anoitece

e dançamos em Sol menor.

Sem dó

Lá num espaço encantado.

Quebra-se o gelo.

Recolhe as estrelas do meu cabelo.

vamos pelas ruas adentro.

 

Nos reencontraremos,

quando dobrarmos a esquina clara

do desejo que cai no pano

virgem.

Nada receies.

Estarei cá para o ano.