domingo, 7 de julho de 2013

A Fénix


Nada trago comigo.

Tenho as penas sem brilho.

O olhar está vidrado.

Não sinto vontade de cantar.

Mergulho na profundidade do caos.

Estou extasiada.

Sou a exaltação de feras selvagens.

Tenho fome e sede de infinito.

Ouço o eco do grito das profundidades da gruta.

Não tenho forças.

O tempo escorre.

Tudo morre quando passo.

O Sol queima a terra que piso.

Busco-me devagar por entre os labirintos da gruta.

No seu interior existem monstros e pavões

que assustam quem na cama se deita.

Creio que não nascerão flores.

 

O sangue começa a pulsar na veia

como o mar enrola na areia.

Surge uma sombra de luz.

Inclino-me para ela.

Liberto-me da treva fria.

Morro em mim.

 

O caminho já não está deserto.

Abandono-me a ti.

A primavera faz florir o que não existe.

O dia começa.

A Fénix, pássaro de fogo, renasce e pousa nos teus braços

onde florescem palavras de Amor

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quando adormeço


Morri, confesso.

Já não sou eu.

Procurei um rosto que fosse metade do meu.

Possivelmente encontrei-o num sonho.

Acordei cedo demais.

Vou dormir.

 

Sou o caos e a agonia.

O silêncio pousa nas mãos

e tu trazes nos teus dedos a harmonia.

A luz arrasta a noite

quando rompes o nevoeiro

e dou o meu corpo inteiro

derramando a tinta do tinteiro

no papel em que escrevo.

 

Digo-te que estou aqui.

Estou viva e não morri.

Estou bem pertinho de ti.

Amo-te mas o horizonte escurece.

Amo-te e estás distante.

Afinal amo o que não tenho.

Estou carregada de pedaços de ti:

são as Saudades que trago no peito alagado pelo Mar de tristezas,

mágoas e incertezas.

 

É isso que me sufoca.

Recebo o meu desejo trazido no teu beijo.

As águas estremecem.

As palavras renascem e descobrem os nossos corpos desnudados.

O céu está aberto.

Os espaços estão desertos

mas preenchidos com o Canto que trazemos na voz.

Quando acordar espero que estejas a meu lado,

caso contrário voltarei a adormecer.

domingo, 30 de junho de 2013

O pássaro azul


Na cidade pairam fantasmas.

As estrelas caem.

A sombra do luar agarra-me.

O orvalho cai sobre as pétalas de rosa.

O verso cai sobre o papel como doces carícias,

como se os meus dedos tocassem no teu corpo.

 

Fico frágil se amar.

O sangue fica ardente.

A luz fica dormente.

Não consigo ver.

Sou louca e livre.

Solta-se a voz do fundo que soa distante.

Consigo chegar à Lua que faz o Sonho girar.

 

Mesmo distante, ouviste-me.

Esta noite tive-te nos braços.

Não sei se o céu ficou azul.

As horas ficaram despertas.

Consumimos o tempo rapidamente.

A Solidão ficou com as mãos abertas e os lábios cerrados.

 

Agora desço degrau a degrau

onde me banho no rio

enquanto o meu sangue ferve como lume frio.

Sinto que posso morrer agora.

Ainda é cedo e o Amor é breve.

Posso morrer agora enquanto afastas as palavras que te escrevo,

pois nada dizem de nós.

Abandonada à luz da Lua cheia,

torno-me um pássaro azul  que voa live

e pousa no beiral das tuas mãos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O beijo poético


Inclino-me sobre a folha fria.

As mãos estão trémulas

e a caneta não se atreve a beijar o papel.

Não lhe ouço nenhuma emoção.

Reclino-me na cadeira.

Sinto um lume preso

enquanto as horas dormem lentas.

 

Fecho os olhos.

Sinto uma presença forte ao pé de mim,

de um amor ausente e que me faz sentir um calor

que me desperta de repente.

Há uma voz que me seduz

e se ergue num canto que preenche

a noite vazia.

Amanhece.

O orvalho cai de manha

beija as flores docemente.

Dispo-me na manha de verão.

Surgem as colinas suaves no horizonte

onde te encostas e molhas as tuas mãos

Nas conchas banhadas pelo mar.

Acolhes-me entre a brisa e o Sol.

Repeles a sombra.

Derramas a luz que me cega e me faz tropeçar

nos teus lábios, astros de fogo.

 

É nesse momento de reencontro,

que a caneta beija o papel.

Já não é uma folha em branco.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Amor que respiro


Deixo a janela aberta

Fico na varanda a meditar.

Nada penso.

Nada sinto.

Passa apenas o vento para me arrepiar

e me faz lembrar a Saudade que

não consigo deixar de tocar.

Fico sufocada no grito surdo da tua ausência.

Alheia ao teu mundo,

existo apenas quando te vejo,

pois é à noite que outras coisas vivem,

à luz redonda do luar.

O encanto do Amor perfeito

nasceu no meu jardim

e eu não sei como foi possível ser assim.

Um sentir louco e alucinante,

quente e penetrante.

Fico entrelaçada no teu corpo

quando estendes os teus braços

e os teus lábios mordem os meus.

Quebras os silêncios, ramos frágeis de outono.

Levo a mão aos teus lábios

para fazer o silêncio renascer,

pois sei que me Amas e não é preciso dizer.

Recolhes-me no meu colo

e fazes-me florir como uma cerejeira.

Fico à sombra da tua luz,

enquanto beberico o brilho dos teus olhos,

inocentes como o Amor
 
que respiro de ti.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A caverna


É preciso entrar em ti para te conhecer.

Desço à tua caverna numa noite escura,

e na dança de sombra e luz

a luz morre no teu corpo.

Ignoro o que escrevi.

As palavras perderam o sentido,

o silêncio foi mordido

com a ausência de ti.

Tens a alma no olhar

E eu procuro-a na floresta dos teus olhos.

Estou cansada.

Nas colinas do teu corpo encosto-me

enquanto a brisa acaricia o teu corpo,

mas são os meus dedos que te tocam.

Os Mares nunca antes navegados,

águas ocultas tuas,

São hoje rasgados pelos meus lábios.

 

Renasces na minha boca.

Morres nas minhas mãos.

Perco-te

e a minha vida foge-me

por entre o teu corpo.