quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Amor que respiro


Deixo a janela aberta

Fico na varanda a meditar.

Nada penso.

Nada sinto.

Passa apenas o vento para me arrepiar

e me faz lembrar a Saudade que

não consigo deixar de tocar.

Fico sufocada no grito surdo da tua ausência.

Alheia ao teu mundo,

existo apenas quando te vejo,

pois é à noite que outras coisas vivem,

à luz redonda do luar.

O encanto do Amor perfeito

nasceu no meu jardim

e eu não sei como foi possível ser assim.

Um sentir louco e alucinante,

quente e penetrante.

Fico entrelaçada no teu corpo

quando estendes os teus braços

e os teus lábios mordem os meus.

Quebras os silêncios, ramos frágeis de outono.

Levo a mão aos teus lábios

para fazer o silêncio renascer,

pois sei que me Amas e não é preciso dizer.

Recolhes-me no meu colo

e fazes-me florir como uma cerejeira.

Fico à sombra da tua luz,

enquanto beberico o brilho dos teus olhos,

inocentes como o Amor
 
que respiro de ti.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A caverna


É preciso entrar em ti para te conhecer.

Desço à tua caverna numa noite escura,

e na dança de sombra e luz

a luz morre no teu corpo.

Ignoro o que escrevi.

As palavras perderam o sentido,

o silêncio foi mordido

com a ausência de ti.

Tens a alma no olhar

E eu procuro-a na floresta dos teus olhos.

Estou cansada.

Nas colinas do teu corpo encosto-me

enquanto a brisa acaricia o teu corpo,

mas são os meus dedos que te tocam.

Os Mares nunca antes navegados,

águas ocultas tuas,

São hoje rasgados pelos meus lábios.

 

Renasces na minha boca.

Morres nas minhas mãos.

Perco-te

e a minha vida foge-me

por entre o teu corpo.

domingo, 2 de junho de 2013

Chove dentro de mim


Ocorre o terror noturno
que desce sobre mim
E me faz perder o sono.
Quero-te encontrar
Mas mesmo que o possa desejar
Não te quero deixar
Quando sonho contigo.


Agora chove dentro de mim
Creio que não devia ser assim.
Mas despida vou ao teu encontro
Com o cheiro das plantas silvestres
E o meu Amor nos caracóis.
Vou-me arrastando pelo chão
Diluindo-me no rio
que escorrega tranquilo
Mordendo a terra que piso.
Corres no meu sangue
Como um astro de fogo.

Surge a sintonia das palavras meigas
que declamas ao vento
que o diz ao meu ouvido
Conheço-te desde sempre
Desejo-te desde então
Toco-te mas és o meu sonho acordado
Amo-te assim.

Neste momento
Por dentro e por fora
Tenho o pulsar da Saudade
Por isso dou-te o meu Amor
Num verso louco (a) por ti.

sábado, 25 de maio de 2013

O tempo parou


Dentro da minha pele

Não viaja ninguém.

Fora da minha pele ninguém me vê passar

Não temo essa indiferença

Talvez o Amor me volte a encontrar.

 

Hoje é o dia.

Na pedra nua o meu corpo renasce

É a tua palavra que me despe

E deixa que me vejas com os teus olhos.

A luz que cintila em ti

Invejo-a pois queria que fosse minha

A que tenho brilha no céu

Mas está sozinha.

Dás-me, então, um beijo quente

Em troca dou-te um beijo gelado

És o Amor que transforma

E não está parado.

É na sombra do teu andar que danço

É no vazio (da ausência de ti) que escuto.

Espero por ti pelo dia fora

Tu surges pela noite dentro.

Eu estou na Lua onde me crês

Tu estás nas nuvens e não me vês.

Desço pela luz da Lua

Para que me vejas

E de corpo e alma serei tua.

Desejo que fiques mais tempo

Tiro os ponteiros do relógio

Beijo-te e o tempo não passa lento

Já parou.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A gaiola do Amor


Gastamos as palavras na rua

Voamos como pássaros

Murmurei o teu nome e tudo estremeceu

Fizemos brilhar as estrelas no peito

Quando nos deitamos no céu do leito.

Afastamos o frio das paredes

Tal como a alma pede

Matei no teu corpo a minha sede.

Ficamos com as mãos doridas

De tanto as agarrarmos

E como um mar em dia de tempestade

Deitaste-te sobre mim

Fizeste de mim a tua metade.

Abraçaste-me como o rio

Traçaste as linhas doces do sorriso

E como um astro de fogo

A tua boca ficou ao pé da minha.

O amor voa comigo

Já não me sinto sozinha.

Senti o palpitar ardente do coração

Quando me roubaste o chão

E deixei a roupa rasgada.

Tornei-me uma alma condenada

Simplesmente aprisionada na gaiola de ti,

Sou o pássaro livre na tua prisão  

Onde dou e recebo o teu Amor.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A morte poética


Os poemas que moram nos meus olhos

São sorrisos de inverno.

E é no verso

Que se comtempla toda a força do Universo.

São a água que morde a terra ternamente

Sem medo das sombras

Que vagueiam subtilmente

Enquanto Sol flutua no céu.

E é no mar da poesia

Que mergulho a minha caneta

E espalho um pouco de magia.

Para isso preciso de morrer no poema.

Invoco o silêncio

Enquanto baloiço na corda dos sentidos

E nos ramos da noite fico

Enforcada.

Foge o que me entristece

Enquanto a hora tece

A dor que faz o peito apertar

Fica o arrepio na pele

E não consigo respirar

Por isso tenho de escrever

Para me conseguir libertar.

Tendo a fria claridade do luar

Como testemunha da morte que ocorreu,

A alma arrefeceu

Mas algo a ressuscita

Quando a alma fica inscrita

Na folha em branco.

E apenas fica o pensamento

Amanha é um bom dia para morrer (de novo). 

terça-feira, 7 de maio de 2013

O negro céu


O Sol secou as lágrimas

Que não deixei de ter.

Ficou o sorriso triste

Pois o Amor não consigo ver.

Começou a chover

Ficou negro o céu

Uma noite triste, penso de repente,

Surge entre a vontade de te abraçar novamente.

Ficaram os gestos no ar

Toda a fantasia trancada

A minha voz ficou calada.

Deito-me sobre os versos que te faço

Enquanto a lua me deixa desnudada.

Tenho a alma fria

E o corpo num farrapo.

Sou uma sombra sozinha

Vestida com uma dor

Que é só minha.

Quis fugir aos medos

Mas tu fugiste-me por entre os dedos.

Fico no meu quarto

Fecho os meus olhos no chão

Adormeço reconfortada no calor das tuas mãos

(Que não sinto na minha pele).

O vento embala-me sem me mover

E no infinito segundo

Alheia ao Amor

Fora de mim e do mundo

Sinto que o Amor me toca

E revela os desejos mais ousados

Que em mim tenho guardados.