sexta-feira, 22 de março de 2013

O beijo bordado



Não há amor com maior tamanho
 
Que aquele que por ti eu tenho
Não há amor que mais me envolva
Como aquele que se escreve em lume brando
No espelho do rio.
Hoje estás deitado
E eu deixo os meus olhos repousar
No azul do céu.
Mas nada é previsível.
Atiro-me no espaço
desço pela luz da lua
Acordo-te com um abraço
Dou-me de corpo e alma nua
Onde trago o teu beijo bordado.


quarta-feira, 20 de março de 2013

O jogo das escondidas

 
A primeira questão que me surge é se o que tentamos esconder dos outros acaba por morrer, ou seja, será que conseguimos ocultar dos outros o que queremos esconder de tal maneira que sejamos capazes de pensar nisso  e não sentir o que tais coisas nos provocam?
Creio que De alguma forma acabamos por matar em nós algo mas ficam sempre réstias. Aprendemos a lidar com as situações, aprendemos a dar uma nova perspetiva às coisas para nos sentirmos confortáveis e pensarmos que podemos recomeçar.
Comparo essas situações a um puzzle. Temos um puzzle muito bem montado com as suas 1000 peças, suponhamos, e sem estarmos a contar, vem alguém e destrói a nossa montagem.
 Como nos sentimos?
Frustrados, tristes e com vontade de desistir.
Não desistimos e recomeçamos. É complicado pois existem cores parecidas, as peças parecem todas iguais. É necessário ter critérios e separar para poder unir de uma forma coerente.
Ficamos satisfeitos quando conseguimos montar quase tudo mas há sempre a dúvida.
Será que quando chegarmos ao fim teremos todas as peças?
Tudo termina e não falta nenhuma. Sentimo-nos felizes por termos conseguido recomeçar mas fica sempre o receio que tudo se repita e alguém destrua tudo o que construímos.
O que fazemos?
Defendemos o que é nosso. Colamos o puzzle para que não exista nada que  destrua com tanta facilidade o que construímos. Queremos manter o que é nosso em segurança.
Apesar disso existirá sempre a sombra e o receio que tudo se repita mas se tal acontecer estaremos preparados para o embate e nada mais será como antes pois afinal nada morre, tudo se transforma.

terça-feira, 19 de março de 2013

Naquele momento...


Olho para a minha cama de pétalas de rosa
Onde me deito quando quero “morrer”
Quando fecho as janelas e me beijas  a face com o olhar,
Desejo que me abraces nessa noite
Nos breves momentos da vida.
Apesar do corpo em desalinho
e do coração com faíscas de gelo,
sei que o sentes a pulsar.
E entre as 1001 lágrimas que  escorrem pelos vitrais
Existe um coração que arde mas que tu não vês
Mas que está na palma da tua mão,
quando me pedes que te dê o meu mundo,
um livro de mistérios
que só li eu.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Quando não estás.....


Sinto falta de palavras.
Estar sem ti é incerto
O tempo pára
E o caminho fica deserto.
Estar sem ti não consigo
Amo-te mesmo quando não o digo.
Quando te afastas a saudade aperta
Mas nem sempre sei o que te dizer
Não encontro as palavras certas,
És tudo o que um verso diz
Tudo o que existe num poema.
Apenas preciso das tuas asas
E o teu peito me basta
E olho para o escuro céu
E vejo deitados o meu corpo e o teu.
Acorda aí o que na alma
adormecido estava.
Começou a chover (caricias) sobre o universo
E o meu coração floresce
como flor nocturna
em ti.

sábado, 2 de março de 2013

Inocência perdida

As palavras perderam a inocência
Já não são virgens
Pois fizeste amor com elas
Despiste-as na noite
que se pintou de negro
e delineaste os seus contornos.
com a ponta da caneta.
Profundamente.
Sentiste bem de perto as suas curvas
Deitaste-as sobre o lençol branco de papel.
Lentamente.
Vagamente.
Sentiste as palavras cruas
Despidas e que serenamente crepitaram e arderam
face a teus olhos.
Deitaste-te sobre elas
E sentiste a urgência
De as possuir.
E foi esse poema que tomaste para ti
E foi assim que renasceste, nessa manha húmida de inverno.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

No teu poema amor


No teu poema amor
 
posso morrer agora
 
Quando as sombras adormecem.
 
Ainda não é tarde.
 
Posso morrer agora
 
quando o dia desfalece
 
Nos braços da tua fantasia
 
e não morreria nua e vazia.
 
Mas apenas com o que preciso:
 
uma caricia e um sorriso.
 
No teu poema amor
 
Entre os teus lábios morreria.
 

Amo-te e não conheço ninguém como tu.
 
Quando não existias o vento uivava,
 
A chuva chicoteava a minha janela,
 
O vento espalhava as folhas pelo chão
 
E os pássaros fugiam.
 
Mas tu não fugiste.
 
Ouviste sempre o meu grito
 
Mesmo quando matei a luz do amanhecer.
 
Beijaste-me desde cedo.
 
Mesmo distante ouvias a voz que não te tocava
 
Distante e dolorosa,
 
como se tivesse morrido.
 
Mas o teu sorriso escrito no Canto da Primavera
 
Fez-me acordar e
 
desejar morrer no teu poema.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A Silenciosa



Triste silenciosa
 
Com olhos de ausência

Voz triste e lenta

De ti outras coisas ocultas emergem.

Palavras misteriosas e enraizadas em ti

E que invadem as muralhas de papelão

Dilacerando-as na fuga.

Louca silenciosa.

Solidão que prevalece

Onde existem furacões de sonhos

De tudo e coisa nenhuma.

Vozes roucas e suplicantes

Que te fazem fechar os olhos

Por breves instantes

Quando a noite se expande.

Silenciosa!

Com o peito rasgado por essa ansiedade

que não compreendes

Passeias com ele bem aberto

Estando o caminho deserto

E o orvalho cai sobre as rosas.

E assim amas em silêncio.
 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Da minha janela


À noite outras coisas vivem
Da minha janela não vejo as estrelas
Olho a paisagem mas não vejo ninguém
Mas no fundo da escuridão
Frio e delicado como a neve
Vejo um movimento leve.
A sombra de um corpo que avança devagar
E ousa revelar-se.
Finalmente vens ao meu encontro
Ajuda-me a fazer silêncio
Quando tenho uma vontade de chorar
que vem de dentro.
Está frio e apenas tenho uma capa
Que o meu corpo pouco tapa.
Envolves-me como a noite
Deixas-me despida
sem nada.
Tenho só o corpo, que sou eu
E o teu amor que é meu.
Agora é tarde…
Já amanheceu (em nós).

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O pecado está servido


Esta noite a mesa foi posta
Com a certeza que a noite será vossa.
Não existem loiças de luxo ou outras coisas que tais
Existem pratos humanos
e outras delicias tropicais,
Todas cozinhadas com o calor que nesse espaço faz.
O jantar é servido mas os convidados saltam na ementa
E começam com a sobremesa.
Para começar colocou-se num dos pratos
mousse de frutos silvestres
Que serviu de creme corporal
Que foi espalhado nesse prato
com uma massagem
que ficou marcada na pele
com a língua que fez a sua passagem de uma forma relaxante.
Mas tudo ficou mais excitante com a introdução de uma nova iguaria
Calipo de morango que foi saboreado devagar
e que apesar da sua frieza,  acabou por desaparecer
No momento em que começou a derreter nos lábios quentes
De quem o estava a saborear
Transformando-se num sumo bem apetecível de refrescar
a chama da boca de quem o sentiu.
Mas ninguém estava satisfeito
E ele saboreou o creme de um doce bem apetitoso
um crepe recheado com chocolate e canela.
Deixou-se ficar com esse sabor na língua
que era tão afrodisíaco que era impossível de recusar
e que o deixou louco de excitação.
Saboreou e apreciou todos os condimentos desse prato tropical
Bem feito e delineado com a doçura e extravagância natural
Mas os morangos foram o digestivo ideal
Servidos na boca de quem esteve presente
E que fechou os olhos para sentir a frescura desses frutos
Servidos com o beijo que amanheceu a noite.

domingo, 27 de janeiro de 2013

A insónia


O meu quarto é o meu mundo
Nesse mundo mora alguém
Não sei se esse alguém me ama
Não reconheço ninguém.
Existe uma voz que me visita
Quando tudo adormeceu
Incessantemente
Toca no meu corpo
Mas não sabe ele
Que a alma morreu.
Olha-me em silêncio
Quando não o posso ver
Pois quando abro os olhos
Fico cega com a luz da sombra
que me ofusca.
Tento fugir dessa sombra
Peço à luz que não se esconda.
Agora não consigo dormir
Talvez tenha de esperar
Talvez amanha tenha o meu momento.
Agora retiro a máscara
Não me reconheço
Estou envelhecida
Parti o espelho.
Junto os pedaços
E só vejo parte de mim.