sábado, 17 de novembro de 2012

Anoiteceu


Fiquei suspensa
Presa com essas algemas libertadoras
dessa dor deliciosa.
Despida à luz do crepúsculo
Sou tua
e entrego-me contra essa parede rubra.
Tiro o teu sossego.
Cada linha do meu corpo
Guardaste na tua bola de cristal
Sufocaste o meu sentir
Nesse beijo profundo e intenso,
força que me prendeu a ti.
Morri em ti, meu pássaro de fogo
Que num sopro fez de mim um ponto de luz
Que se desfez numa vertigem noturna
nas margens do leito.
Um momento com sabor e a preto e branco.
Anoiteceu.

sábado, 10 de novembro de 2012

O anjo das asas caídas


No meu castelo de ruínas
O meu corpo vagueava
como um fantasma vagabundo
com roupas de sombra para cobrir o que não se via.
No fundo das entranhas
Revolvia-me uma vontade estranha:
Partir a alma em 1000 pedaços
e assim morrer
Para não sentir e poder viver.
Revolviam-me as sombras numa pura ilusão
Que me acordavam das insónias
E no sonho que já não se ouvia
Palpitava o coração que não sentia.
Via um vulto que me guiava de repente
e estendia a mão lentamente
e eu dava a minha Vida,
Inconsciente.
Beijava-me o corpo docemente
e no seu canto de embalar dizia:
“Não és nada. Nunca serás nada”.
E eu olhava para o fundo e dizia
“Ninguém me vê”.
Perdi-me nos versos que alguém lê.
Era sombra da sombra
que vagueava na rua.
já não amanhecia
Pois a luz já não nascia.
“Matei-a”, confesso.
As escadas ocas serviram para subir
até à torre mais alta
Para ouvir os sinos dobrar
Quando o sono vinha para mim:
Mero silêncio.
Agora não digas nada:
Sou uma sombra leve,
Anjo das asas caídas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Nas asas de um anjo


As sombras tornaram-se defuntas
Na hora em que as nossas bocas juntas ficaram
E na hora em que o teu olhar me despiu
E me fez arder ansiosa no desejo.
Fizeste acordar em mim o Amor perfeito
Que no meu peito
trago a pulsar.
Nos teus astros de fogo,
olhos ardentes,
provocaste em mim esta febre
que me deixa completamente
despida de barreiras.
Faz  de mim uma submissa tua
que vagueia pela estrada tua,
as linhas do teu corpo.
Ouço o teu respirar junto ao meu ouvido
Quando fechas o meu mundo nos teus braços
e prendes nos teus dedos delicados
a minha alma.
É essa fantasia que vejo:
Num apelo mudo
Ouço o teu gemido
Que se torna agudo
E nos embriaga nesse prazer.
No momento em que cravo as minhas mãos
Nas linhas do teu rosto,
Sinto o sangue a fervilhar
E me faz elevar ao cimo do nosso desejo
E eu voo nas asas de um Anjo,
que és tu.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

As Sombras

No quarto onde morava
As paredes eram frias
E o Sol morria
E vestiu de luto os seus dias.
Iludiu-se com o descanso que julgava ter
Mas cresceram os murmúrios dolorosos
E as folhas iam caindo no jardim.
A Sombra triste e forte a envolveu
E Maria leu com ela
O livro da Dor, que a Sombra lhe ofereceu.
O Amor passou pela sua janela
Chamou Maria,mas recusou-se a vê-lo
Entregou-se à Sombra
Pois achava que não podia merecê-lo.
Toldaram-lhe as lágrimas amargas
E sentiu enraivecer as suas feridas
E as lágrimas escorreram
E ninguém as viu
Cair dentro de si.
A noite repousou sobre ela
Enquanto a Dor era a sua tortura
E a fazia soluçar
Pela noite escura.
No silêncio,o seu Ser fez-se cinzas,
Tornou a sua alma pó.
Mas num simples escrever
Delineou o que sentia
sem nunca o dizer.
Tirou os versos do pensamento
E fez deles o sonho e o encanto do momento.
Sabe que nas Sombras existe medo,
Mas o medo tornou-se vontade de Ser,
de condensar o mundo no grito
Do verso inacabado
Que a faz dizer à Sombra em segredo:
"Podes existir em mim,mas não irás tornar-me igual a ti".

sábado, 20 de outubro de 2012

Ao cair da noite


Nessa noite de um encanto soluçado
quero que digas, bem junto ao meu ouvido
Qual é o teu pecado
Grita-me isso num gemido
tão desfeito
Como as brasas que espalharás pelos lábios meus.
Nas minhas mãos deixarás o perfume quente
que aquece a minha pele
Cálida e inocente.
Tira dos meus olhos a cor
Para pincelares com as tuas mãos
O Amor que te foge por entre os dedos,
Que se entrelaçam nos meus medos,
Sob a neve que o inverno traz
E com o Sol da tua boca
Nessa primavera tua, se desfaz.
E nesse momento,

Serei tua num dia de chuva
com o sol dentro de nós.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Silêncio noturno


À noite, à hora da ansiedade
 
Lugar meu, hora minha,
 
Anseio pelos teus beijos e pelo teu toque
Ouço a escuridão que é a música da noite
Desejo que venhas,
Que deixes que ela te leve os sentidos
e te evolva com as sensações.
Deixa florescer o fogo do teu desejo
Nas sombras que cobrem o corpo teu
E o meu com um véu.
As sombras em que a noite se tornou.
Vem….
Torna-te prisioneiro dessa “noite”
e deleita-te com o corpo que queres para ti
que te dará a outra face:
A face do desejo.
A face da fantasia.


O silêncio abre as mãos
E a tua boca fica ao pé da minha
e desabrocha lentamente
Nas noites luxuriantes,
nas noites quentes
Em beijos sensuais e ardentes
Em que fazes do teu querer o meu
E ardemos nessa chama silenciosamente explosiva.

sábado, 22 de setembro de 2012

Num sonho meu


Estava perdida na corrida contra o tempo.

Permanecendo o momento

Longe do teu Amor que não recordava.

Mas num dia qualquer o nevoeiro dissipou

Quando num sussurro silencioso

Te pedi que me levasses os medos

E libertasses o que sinto em mim.

Nesse frágil momento

Fechaste os braços para me ter

E eu deixei-me cair no relógio do esquecimento

Para ficar contigo uma vez mais.

Recordo o sentir de ti

Quando te deixei um pedaço de mim

Nas tuas mãos meias cheias de Amor,

Meias cheias de desejo e vontade

Simplesmente repletas da minha ausência.

Foi um beijo (in)acabado

Que tocou nos teus lábios brevemente por longos momentos

Num gesto naturalmente sentido:

Quente, doce e intenso como o Amor que nos une.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sem ti

Sem ti o amor é vivido pela metade
Como se fosse a melodia
que acompanha as letras desenhadas no papel
Apenas são traços e não são poesia.
Ainda sei de cor o teu corpo
Quando me deitei sobre os teus sonhos
Ficando apenas pela metade
Vestindo apenas o véu da tua fantasia e do teu ser
Até a luz amanhecer.
Ficou apenas o perfume
desses momentos que rasgamos em 1000 pedaços
Com beijos e abraços  que trocamos.
Foi para o teu ser que eu corri
Para não nascer mas para morrer
Em ti.
Apenas o beijo matou essa distância
E não te contei mais segredos
Nesse amanhecer.
Pois escondi-me nos teus dedos
Só para te sentir
E à luz do teu amor
Floresceu uma flor de fogo
Que colheste no meu colo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Meu amor

Meu amor, dei-te as minhas mágoas
Estendi as minhas asas sobre as tuas águas
Fechei o meu olhar nas mãos do teu silêncio.
Simplesmente, meu amor, te esqueci
Para em horas nuas e rubras me lembrar de ti
Loucamente.
O silêncio pôs-se a escutar
A linda melodia que me pediste para tocar
Os versos que são teus mas que os rasguei
Pois já os sei de cor
Pois os canto sempre que te escrevo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pela porta mal fechada

Pela porta mal fechada
Vejo a tua sombra fugidia
Mas mantenho me na sala vazia.
Fecho os olhos para vislumbrar o teu rosto
Procuro delinear com os meus sonhos
Aquilo que espelhas nos teus olhos.
Quando a porta se abriu
E a luz deixaste entrar
Começou a chover
Deste-me a mão e caminhamos
Para esse mundo paralelo
Em que existimos os dois.
Corremos pela chuva e deixamos que nos reconfortasse
Demos um beijo frio
Mas que na nossa alma queimou
Um beijo que fez parar o tempo
Diminuiu a distância entre nós
Quando raiou a saudade
Nos momentos em que existimos um para o outro.

sábado, 25 de agosto de 2012

Dobra a dor e...


Dobra a dor
Envolve-a com a solidão e manda-a pela janela.
Cala o desespero.
Grita esse amor que te vai na alma.
Sente-o e dá-me esse amor.
Preciso disso pois quero sentir-me viva.
Quero que seja a alma, o sangue e a vida em mim.
É preciso voltar a sentir o pulsar do coração
Mesmo que me dilua nesse amor
Mesmo que morra a arder no fogo
Serei por momentos a princesa da chama fria
que navega no Rio Lethes pois não devo permanecer na memória.
mas no coração.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Esse desejo....

É esse desejo latente que me faz sentir diferente
e caminhar por entre a gente
mostrando aquilo que sou.
É esse desejo latente .
de te amar perdidamente
como se da minha morte se tratasse
E  me faz mergulhar nessa realidade
e correr contra a vontade
de te encontrar.
Esse desejo latente que me faz estender sobre a tua fantasia
despir-me de toda a artificialidade
e fazer da tua vontade a minha.
E é nesse momento em que nos deitamos
os dois  sobre a noite de volupias
Que o meu corpo estendo para o teu
e deixo-me enveredar
pelo teu suspiro que aflora na minha pele
e que me lembra
na minha memória morta
que devo amar perdidamente.

domingo, 15 de julho de 2012

Eu não sei....

Meu Amor a razão pela qual
Grito o teu nome numa vontade estranha
E as minhas mãos trémulas estão frias
Por não sentir o calor da tua pele.
O meu corpo procura-te
Ardendo lentamente
Por não matar a sede dos beijos
Que não saciei na fonte do teu Amor.
Por isso olho para as mãos vazias
Com que rasgo um coração perfeito
E fecho os olhos ao desejo
Quando lembro o sabor do teu beijo
E os meus braços se entenderam para ti.
Oiço a tua voz silenciosa
Numa vontade misteriosa
De ler-me à luz que desmaia
E para do meu corpo fazeres as formas da tua Arte
E assim escreveres no meu peito
Lentamente
Os versos que falam do que sentes por mim
E que nascerão no leito
E suavemente se tornarão imortais
Nos momentos lentos e calados
De profunda atração(quase) fatal.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O que desejas esta noite?

O que desejas de mim esta noite?

Dou as cartas e quem manda sou eu

Sou a Alice dos Pais das Maravilhas

Procuro alguém para jogar

Posso dar as cartas de 1 a 10

E esconder-me atrás do véu;

Posso fazer-te descobrir quem sou eu;

Posso ser a rainha ou uma simples dama,

Mas  tu podes ser o meu rei

Ou simplesmente um às de espadas

Que consegue intimidar a sua amada

Mas para isso terás de fazer de mim a tua escrava,

Se o conseguires.......

Fecha os olhos simplesmente

E deixa-me envolver-te com o meu simples encanto

Quero que me peças um beijo

Porque o desejas e não por que te peço.

Quero que te deixes seduzir pela noite cadente

E deixes arder o gelo quente

Que vai escorrer pelo teu corpo

Que vai ser o solo perfeito

Para germinar uma semente ardente.

Quero que te deixes levar pelo toque das minhas mãos

Que o teu corpo não sabe de cor

Por isso rasga as roupas de que não precisas

Pois quero vestir-te de amor

Quero que fiques cego por me ver

Para  poderes acordar o vulcão que teimou em adormecer

No leito da morte certa do corpo

Da Maravilha que não sou eu

Mas sim a fantasia que está no teu baralho mental

E que teima em não sair

O Joker, carta rara, mas um verdadeiro trunfo.

domingo, 3 de junho de 2012

Nas margens

Nas margens do teu corpo
Numa tarde sombria
No solo que é teu
Uma rosa negra floresceu
E lentamente as suas folhas estendeu
E foi com a sua seiva
Que Palavras um Poeta escreveu
Rosa silvestre, Amor meu,
quero que sejas minha pois eu já sou teu.
Cresceu essa Rosa com as palavras faladas
ao ouvido pelo vento que passou.
Com a água cristalina que ao passar a referescou.
E o Amor fertilizante que o Jardineiro na terra deixou cair.
Lentamente floresceu
como um beijo que pousou nos teus lábios
com a frescura dos aromas que não há
que polvilham as tuas fantasias de mel.
E as tuas mãos acolhem esse desabrochar
No instante em que a sombra de Luz se cobriu.

domingo, 6 de maio de 2012

O "meu amor" é como tu

Meu Amor, és bom demais para ficar sem ti

Meu amor,
Existem frutos silvestres
que são difíceis de tratar
Rosas com espinhos
E pedras difíceis de lapidar.
Existem espadas e punhais
Fantasmas e pesadelos
Fantasias e sonhos
que encontro no fundo dos teus olhos.
E muitas perdições e outras tentações.
Mas nada disso interessa.
Pois mais uma vez vou ficar contigo.
Adormecer
Despir-te com suavidade
Sentir-te como meu
Sentir a frescura do teu sabor
e ficar simplesmente contigo
(em mim).
Viver os meus sonhos quando estou assim
com esse vontade de ter-te.
Sentir-se suavemente intenso,
Docemente amargo.
Deixar-te simplesmente a derreter na frieza do meu calor
Intensamente brando
Intensamente meu
Porque apenas me pertences nesses momentos
Pois quando amanhece no meu olhar já não estás na minha boca.
e é nesse sentir que vejo o Amor:
Como um chocolate que pode ter diferentes sabores, diferentes formas,
que se vai derretendo no nosso ser e aprimora os nossos sentidos,
Nos faz sorrir e nos lembra que
o Amor é bom demais para ficar sem ele.