domingo, 22 de dezembro de 2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
O Bordado
Linha de tinta.
Quero que esteja bem esticada
para que reflita algo
que eu não sinta.
Palavras nuas e cruas.
Passo a linha pela minha agulha,
caneta azul,
que desliza suavemente pelo pano branco.
Começo a bordar.
O luar ilumina o meu trabalho sombrio.
Estou em contraluz.
Surgem versos agrupados
pois as Palavras não podem estar sozinhas.
Tudo é irregular.
Não há nada de (mili) métrico.
Para rematar o bordado, dou pontos certeiros.
Ponto a ponto.
Um ponto de exclamação para entusiasmar.
Quando tenho duvidas,
acabo por me interrogar.
Desfaço o meu bordado
e tenho de recomeçar.
Coloco três pontos para rematar.
Não sei o resultado.
Só no final, é que se verá o bordado.
Para dar mais cor e fantasia,
faço de conta que sou a Cinderela
ou a Bruxa Má
que à Branca de Neve deu a maçã.
Não faço comparações.
Ironizo “Está maravilhoso”.
Não é dito pelo escritor.
Minto!
Está tudo nas mãos do leitor.
Espalho antíteses na minha criatividade:
Julgo que é na morte que encontro o poder da
Poesia.
Nesse momento iludo o leitor
com um pouco de fantasia.
Quero que tudo fique tónico
face ao que apresento.
Se isso não acontecer,
Não é grave.
Não sentirei uma dor aguda.
Fico sempre feliz pois é uma parte de mim,
mão de poetisa,
borda as Palavras que chegam ao leitor,
consumidor final, da obra poética.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Sol de inverno
Mata-me.
O Poema não é nada.
Preciso de liberdade.
O fogo gelou em mim.
Há um abismo
a meus pés.
O chão que já foi Céu,
onde senti o teu corpo junto ao meu,
magoa-me os olhos.
Fica distante a lembrança de ti.
O vestido está rasgado.
Perdi o encanto.
Caiu-me aos pés.
Caminho de mãos vazias
na caverna onde me prendeste
com a melodia que me enfeitiçou.
Procuro o teu rosto na distância.
Perco-me nas horas.
Pergunto-me por que demoras.
Um corvo pousa na pedra nua.
Julgo que traz alguma notícia tua.
Talvez o
nosso Amor tenha morrido
e eu não me
tenha apercebido.
Sinto o meu corpo despido.
Cubro-me com as asas que me deste.
É na frieza das coisas
que surge o teu rosto
na manha.
Mergulhas os dedos no meu peito
Arrancas as recordações.
Incendeias o meu corpo,
quando me tocas.
O longe fica perto.
O meu mundo fica mais completo.
Destróis tudo em mim.
Por ti me deixo matar
só para te ter a meu lado,
meu Sol de inverno.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Por Amar-te
FOTO: AMANDA COM
Sou
criminosa.
Assalto o
mundo das Palavras.
Roubo os
ponteiros do relógio.
Mataria
por um sorriso teu.
Existo a
teus olhos.
Sou a luz.
Sou a
cor.
Sou o
gesto.
Sou a
Palavra.
Sou Musa,
se calhar.
Diz o meu
nome.
Renascerei.
Beijas a
luz que me toca.
Adormeces
esse desejo
de sentir
os teus lábios.
Um beijo.
Navego
nas ondas
do teu
corpo aceso.
Estás
para além dos meus dedos.
Talvez
não saiba amar-te.
Tenho
medo.
Mas tu
estás comigo.
Estás em
todas as coisas.
Estou
perto de ti.
Estás perto
de mim.
Quando à
noite desabrocha a rosa da poesia,
somos um
só.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Quando te invento
As cortinas são negras
noites.
É atras delas que
solto a minha loucura.
As minhas Palavras são
o avesso da alma.
Algo se avizinha.
Vejo da minha janela.
É um pássaro que trás
a Liberdade
quando estou sozinha.
O relógio perdeu os
ponteiros.
O Poema é a janela
que me permite olhar
para dentro.
A minha pele é o
papel ardente
e os teus dedos a
tinta
que escorre
docemente.
Cortas a boca pela
metade.
Retiras-me o último
suspiro.
Caio junto da palavra
nua.
O meu coração fica
leve.
Pousas a mão no meu
rosto.
Todos os espelhos se
partem.
Não vejo o reflexo da
despedida.
Amanha voltarei a
dar-me a ti.
Fica o poema sempre inacabado.
É assim que te amo:
quando te invento.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Queres sentir o ritmo do coração?
Bom dia a todos
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Um abraço, Ana
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013
As linhas com que me teço
As
margens abrem os caminhos.
O poema
corre pelos caminhos
trilhados
em linhas paralelas.
Ganha
alma esse corpo que desconheço.
Entre o
meu corpo e a poesia
não há
distância:
apenas um
mar imenso de fantasia.
Tudo é
fantasma.
Escapas-me
por entre os dedos.
Estico as
mãos.
Ficas
longe do coração.
Não estás
preso a imagens.
Não posso
olhar-te.
És como o
rio: foges sempre de mim.
Apenas
queria ser a tua sombra.
Apenas queria
ser a tua insónia.
Apenas
queria mergulhar no teu peito
e como um
pássaro selvagem,
com as
minhas asas esquartejar
as lembranças
e ser real.
Apenas
queria sentir-te palpável
como
aquilo que escrevo
nas linhas
poéticas com que me teço.
domingo, 17 de novembro de 2013
Para ser inteira
As noites de papel são brancas.
Vazias.
Estou só.
Os meus olhos morrem na folha
onde me invento
nas paisagens que crio
quando me sento.
Sou um pássaro caído.
Perco as asas
para os versos que suspiro.
Durmo, assim, num embalo
como se nunca tivesse acordado.
Vejo formas na minha parede.
Há gestos e vozes inexistentes.
As sombras dançam para mim.
Falam das Palavras que brotam em mim.
As lágrimas começam a escorrer
das nascentes voltadas para o Infinito.
É aí que te agarro sem te ter.
A porta está aberta.
Na sua soleira o Silêncio vira costas.
A Solidão acaricia a minha face.
Ecoam as Palavras.
Desperto.
Apenas tenho de estar sozinha
para ser inteira.
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