quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Só para te calar!

Nasceu o Amor
e a sua raiz é tão profunda
que cruza todos os caminhos
por onde passo.
Reinvento o nome das ruas
quando penso em ti.
É um Amor branco, puro e inocente
como o sorriso de uma criança.
 
Sonho pelo dia fora.
Pela noite dentro eu corro.
Julgo que se me faltares eu morro.
Vou ver-te enquanto dormes,
voando nas asas que um Anjo me deu,
que és tu, não sou eu.
Vejo-te com a ponta dos dedos.
Os meus olhos já não me pertencem.
São teus.
 
Falo ao teu ouvido o segredo
Há algo no meu peito,
um pedaço de mim que sobrevive:
é o teu Amor que em mim vive.
A tua voz assombra a minha caverna.
Seduz-me.
Por tua causa ando na Lua
mesmo sem lá estar.
Sou tua.
Tenho receio, confesso, de não saber amar-te,
mesmo que o sangue ferva de tanto desejar-te.
 
 
Despes o que os outros veem.
Sou inteira para ti.
Consegues possuir o impossível.
Abrimos os braços para o Tempo e para o Espaço.
Eternizamos o momento
aconchegados no regaço.
Sinto os teus lábios como se os estivesses a rasgar agora.
A lembrança de cada lugar teu, eu guardo.
 
Agora voo contigo.
Vamos viajar pelo Céu.
Beijo-te, fechando-te a boca.
Gosto dos teus silêncios.
E isto é só para te calar!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Alucinação


O corpo está nu.

A Alma está virgem.

É tudo ou nada.

No silêncio as coisas dormem na secretária.

Olho para o espelho.

Não reconheço o meu rosto.

A Liberdade está quase perdida.

Já abracei os fantasmas.

 

Pego na espada

e encosto a lâmina poética ao pescoço.

Tenho um instante de loucura.

Não posso arrancar mais nada de mim.

Posso matar a minha Vida.

 

Alucino.

Encontro a tua face na Lua cheia.

 Não tenho as mãos vazias.

A ilusão é grande.

O Sonho é maior.

Percorre-me uma força que me faz avançar.

Torno-me uma gata selvagem e percorro

as margens do teu corpo.

 

Olho pela janela.

Ninguém passa.

Ouço o bater da chuva

na minha vidraça.

Meu amante, já sei que hoje não vens.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Um Amor floriu


Bates no meu peito

de um jeito

que não compreendo.

Logo agora que não queria saber de ti!

 

Surgiu um amor profundo

que me fez pensar

Posso possuir o mundo.

Tudo ganhou forma.

Quem amo agora é meu.

Continua vivo e não morreu.

Apenas adormeceu.

Antes de ti a noite morria.

Isso não me importava.

Depois de ti, quando me deitava

na cama vazia,

não sonhava nem dormia.

Estava contigo.

 

O Amor faminto deleitava-se

com os beijos que não te dei.

Digo que não me importava

não os ter dado.

Minto! Está tudo errado!

Gostava de te sentir ausente.

Pensar até que morreste.

Esta loucura deixa-me doente.

Gostava de sentir Saudade.

Amava-te de novo.

Nada disto é verdade.

Queria tocar-te, na realidade.

 

Hoje as páginas são bandeiras brancas

marcadas pelos versos que escrevo.

Reforço a profundidade das raízes

do Amor que cresceu em nós.

O verso direito lança-se na margem.

Nasce o poema feito à tua imagem.

Acalmo, assim, a pomba assustada

que é o meu coração.

Amo-te inteiro com a ponta da caneta

mergulhada no tinteiro.

Dou-te o meu mundo outra vez

mesmo quando não me vês.


 
Surpreendo-me!

Um Amor floriu no jardim.

Vejo-o da janela que abri

para te ver.

domingo, 22 de setembro de 2013

Voltarei a partir


Dedicado aos meus leitores
 
 
Entre o Poeta e a Poesia

Existe o Infinito.

Existe a terra.

Existe o Abismo.

 

A página pede a minha Vida

olhando-me tranquila.

Fecho os olhos.

Não consigo respirar.

Passo os dedos pela parede

dessa gruta onde estou.

Descubro as lágrimas esquecidas

no grito do silêncio  que ecoa

na noite que prolonga o meu sonho.

Recolho as palavras.

Escrevo versos com sentido.

Existem para ter um motivo

para estar contigo.

 

Perdi a memória.

Não sei por onde andei.

Não sei o que sonhei.

A meu lado arde a fogueira da fantasia

que não me deixa dormir.

Deixa a minha alma de vigília.

O meu Sonho é luminoso.

 

Os olhos viajam para longe.

Viajam para onde voam as Palavras.

Fico nas tuas mãos.

Espelho a nudez da alma oculta.

Não consigo tirar os olhos de ti, confesso.

 

Recupero os sentidos

com a frescura do anoitecer

que arrepia as cortinhas do meu quarto.

Afasto as palavras que escrevi.

Afinal não as reconheci.

Já consigo respirar.

Estou livre.

Regresso ao meu lugar na Terra.

Amanha ao anoitecer, por vós,

voltarei a partir.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Inalcançável, por agora!


Para além da porta

está deitada no leito

uma alma quase morta.

A luz da minha alma fundiu.

Aconteceu há pouco tempo.

Ainda está quente.

É apenas um disfarce

para dizer que estou viva

mesmo sem o teu alcance.

 

Todos os erros, dores, fraquezas,

incertezas, mágoas e tristezas

eram palpáveis e fundiram-se na minha alma.

Era um lago parado.

Talvez por isso o olhar tenha secado.

Fiquei calma.

 

Não há estrelas no céu.

Está mais aberto.

Tudo me envolve.

Senti a Saudade mais perto.

Há o sorriso imperfeito.

O desejo de ver o meu Amor

é a flor que desabrocha no meu peito.

 

O corpo ficou vazio.

A alma cheia de ilusão.

Há a melodia que soa de dentro

e trespassa o coração.

Rompe o silêncio no quarto deserto.

A melodia é o toque

da Saudade que persiste.

Não sei por que me toca.

Sinto-me triste.

 

O Amor não se explica.

Traz a lembrança na noite que fica.

Não quero nada.

Apago a minha Vida.

Adormeço de seguida

na sombra do amante

inalcançável, por agora!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Silêncio do Amor


Cala-te.

Não digas nada.

Senta-te na cadeira.

Vou alojar-me no teu colo.

Não precisas de papel.

Cedo o meu corpo.

Rasga a minha roupa sem pudor.

Sinto de perto o teu odor.

Embriagas-me.

 

Estendo-me na mesa.

Com os teus dedos começas a percorrer

o corpo da mulher que desejas conhecer.

Roubas-me os sentidos.

Nada sinto do exterior.

Percorres as linhas de um corpo

Que ainda não conheces de cor.

 

O Silêncio consente o Amor.

Queima as palavras abraçadas pela voz.

A boca emite o som que a língua desconhece:

o prazer de um beijo que a nossa boca conhece.

Ficamos ocultos na pele um do outro.

Criámos imagens com os gestos que traçámos.

 

Tudo é poesia.

O Amor torna-se casto e completo.

Sinto que o Céu está perto.

A noite prolonga a união.

Adormeço em silêncio, na tua boca.

És meu.